Os economistas Marcos Lisboa e Solange Srour estão pessimistas com a economia brasileira em 2027.

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Os economistas Marcos Lisboa e Solange Srour estão pessimistas com a economia brasileira em 2027.
Por Luiz Guilherme Gerbelli, do Estadão
São Paulo, 14/08/2026 – Os economistas Marcos Lisboa e Solange Srour estão pessimistas com a economia brasileira em 2027. Na avaliação deles, o Brasil tem uma desaceleração da atividade econômica contratada para o próximo ano. O tamanho da crise vai depender das ações adotadas pelo futuro governo, sobretudo na área fiscal, e de como o cenário externo vai se comportar.
“Estou bastante preocupado com o ano que vem. O que me preocupa são os sinais de como qualquer governo que for eleito vai reagir às dificuldades”, afirma Lisboa, sócio-diretor da Gibraltar Consulting.
“Estou muito preocupada. Estava conversando com o Marcos sobre a desaceleração contratada da economia, porque, com esse juro alto, inadimplência elevada, comprometimento da renda superelevado, não tem como a economia continuar crescendo”, acrescenta Solange, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management.
Os dois economistas participaram do segundo debate promovido pelo Estadão para discutir os desafios econômicos do Brasil a partir de 2027, quando terá início um novo mandato presidencial.
Marcos Lisboa e Solange Srour também dizem que, além de resolver o dilema das contas públicas, o Brasil precisa se integrar mais ao mundo e avaliar melhor as suas políticas públicas para chegar ao grupo das economias ricas.
“O Brasil está muito atrasado. O Brasil é um dos países mais ineficientes com a educação. E a gente não consegue discutir processos de aprendizado”, diz Lisboa.
“A diferença de todos os países que tiveram sucesso, inclusive no Leste europeu, foi a integração. E essa agenda da abertura comercial não depende tanto do Congresso, depende do Executivo muito mais do que do Legislativo”, afirma Solange.
Marcos Lisboa: Se pegar dados de produtividade, o resultado é bem pior. O Brasil está crescendo menos do que os países desenvolvidos há 50 anos e cresce muito menos do que os países emergentes, desde então. O Brasil é um país difícil, não só pela taxa média de crescimento, mas pela frequência de crises. Nos bons anos, o Brasil vai crescer 3%, mas tem uma frequência imensa de anos ruins, muito maior do que os demais países. Os países ricos ou emergentes vão ter, para o período de 40 anos, três anos de crise. O Brasil tem 14. E a crise, quando chega no Brasil, é muito mais severa do que nos demais países. Os temas se entrelaçam. A frequência e a gravidade das crises do Brasil têm um componente que decorre das escolhas econômicas que nós fazemos. O Brasil continua naquela visão dos anos 1950, de que crescimento é proteger a economia nacional, estimular a demanda, evitar concorrência externa. Esse é o Brasil dos anos 50, 60, 70, e não tem ideologia. Nada mais parecido com a gestão Dilma Rousseff do que foi o governo Geisel. Ambos resultaram em crises graves. Essa visão de economia, de que crescer é dar subsídio para produtores locais, sem entrar em competição com o mercado externo, tem uma contrapartida de crises fiscais severas que o País atravessa desde aquela época. Ou a gente supera essa visão de economia ou a gente vai continuar nesse mar de dificuldades que a gente vive. E eu estou bastante preocupado com o que vai acontecer no ano que vem e em 2028.
Solange Srour: Vejo que a gente não consegue entender o problema fiscal até agora e, por conta disso, não conseguimos construir um ambiente de juro baixo. Óbvio que depende de previsibilidade, segurança jurídica, reforma tributária, mas, se a gente não conseguir baixar esses juros, não tem custo de oportunidade no Brasil viável. É o que estamos vivendo hoje. Acho que o entendimento sobre a questão fiscal está extremamente raso. É profunda a nossa crise. É muito maior do que era há quatro, há oito anos, porque, hoje, estamos com um nível de dívida extremamente elevado e com uma trajetória de crescimento aceleradíssima, num contex

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