Estudo da Visa mostra avanço do uso de inteligência artificial nas compras, mas aponta que apenas 15% dos varejistas estão preparados para a tecnologia

Estudo da Visa mostra avanço do uso de inteligência artificial nas compras, mas aponta que apenas 15% dos varejistas estão preparados para a tecnologia
Os agentes de IA no varejo devem ganhar espaço nas vendas digitais brasileiras nos próximos dois anos. Segundo o “Global Digital Shopping Index 2026”, 74% dos estabelecimentos comerciais esperam que essas ferramentas representem ao menos 5% de suas vendas digitais no período.
O levantamento foi desenvolvido pela PYMNTS Intelligence em colaboração com a Visa. Os dados, porém, mostram uma diferença entre a expectativa do setor e sua preparação atual.
Apenas 15% dos varejistas brasileiros afirmam estar preparados para operar em um ambiente de compras mediado por agentes de inteligência artificial.
Além disso, somente 21% conseguem identificar quando uma venda teve origem em uma plataforma de IA.
Enquanto os varejistas ainda ajustam seus ambientes digitais, o uso de inteligência artificial pelos consumidores já apresenta números relevantes.
No Brasil, 53% dos consumidores entrevistados afirmaram ter utilizado IA em algum momento da jornada de compra.
O índice supera o registrado nos Estados Unidos, onde 46% dos consumidores declararam ter usado a tecnologia para essa finalidade.
A pesquisa também aponta uma mudança na forma como os consumidores pesquisam produtos.
O uso de ferramentas de IA generativa para buscar informações sobre produtos passou de 2% em 2024 para 32% em 2026.
A expectativa de utilização também é elevada. Segundo o levantamento, 70% dos consumidores brasileiros esperam utilizar agentes de IA para auxiliar suas compras nos próximos dois anos.
“Os dados mostram que consumidores e estabelecimentos comerciais já enxergam um papel crescente para a inteligência artificial nas compras, mas essa evolução também exige preparação do varejo. Isso passa por organizar dados, adaptar canais e contar com uma infraestrutura apta a suportar experiências em que agentes de IA participem da descoberta, da decisão e da compra. A Visa trabalha para apoiar esse ecossistema nessa transição, desenvolvendo soluções que conectem agentes, estabelecimentos comerciais e pagamentos com foco em segurança e integração”, afirma Gustavo Carvalho, vice-presidente de Serviços de Valor Agregado da Visa do Brasil.
A disposição dos consumidores para permitir compras realizadas de forma autônoma por agentes de IA varia conforme as condições oferecidas.
O estudo considera compras autônomas aquelas em que o agente pode fazer uma aquisição em nome do consumidor, seguindo regras ou critérios definidos previamente.
Entre os entrevistados, 28% disseram que permitiriam uma compra automática se houvesse um prazo de 24 horas para cancelamento.
Outros 25% aceitariam a operação caso o preço do produto caísse abaixo de um limite estabelecido anteriormente.
Devoluções gratuitas, ofertas consideradas significativamente melhores e produtos difíceis de encontrar também aparecem como fatores de estímulo.
Cada uma dessas condições foi mencionada por 23% dos consumidores entrevistados.
Os dados indicam que mecanismos de controle e vantagens concretas podem influenciar a disposição do consumidor em utilizar recursos de compra autônoma.
A integração entre canais digitais e físicos também aparece no levantamento.
Segundo a pesquisa, 57% dos brasileiros utilizaram o celular durante sua última compra em uma loja física.
A principal atividade citada foi a comparação de preços entre diferentes estabelecimentos.
Outras ações foram realizadas por 25% dos consumidores em cada caso: buscar informações sobre produtos, consultar avaliações e verificar os meios de pagamento aceitos.
A forma de pagamento também interfere na escolha do estabelecimento.
Para 65% dos consumidores brasileiros, saber antecipadamente se uma loja aceita o meio de pagamento de sua preferência influencia a decisão de compra.
O resultado mostra que informações disponíveis antes da ida ao estabelecimento podem fazer parte da decisão de consumo.
O levantamento também registra aumento na frequência das atividades digitais relacionadas ao consumo.
Em média, os brasileiros realizam 2,2 atividades distintas de compra ou pesquisa por dia em celulares e computadores.
No indicador utilizado pelo estudo, isso equivale a 67 ocorrências mensais, contra 62 em 2024. O crescimento foi de 8%.
O indicador considera diferentes atividades realizadas ao longo do mês. Por isso, uma mesma pessoa pode fazer mais de uma atividade no mesmo dia, fazendo com que o número mensal ultrapasse 30 ocorrências.
Outra mudança registrada foi o crescimento das compras realizadas pela internet com retirada em loja física.
A modalidade avançou 18%, passando de 11 para 13 dias de compras por mês em que os consumidores realizaram esse tipo de operação.
O dado reforça a combinação entre os ambientes digitais e presenciais na jornada de compra.
Apesar do aumento da frequência das atividades digitais, o processo de pagamento permanece como um ponto de atenção.
Um em cada quatro consumidores brasileiros, ou 25% dos entrevistados, afirmou ter enfrentado algum problema ou interrupção durante sua última compra online.
Entre os principais problemas relatados estão cobranças indevidas ou disputas relacionadas a transações.
Essa situação foi mencionada por 19% dos consumidores brasileiros ouvidos pelo estudo.
Fonte: centraldovarejo