Índice da SEED mostra segundo mês consecutivo de retração no fluxo de consumidores e aponta diferenças entre regiões e canais de compra.

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Índice da SEED mostra segundo mês consecutivo de retração no fluxo de consumidores e aponta diferenças entre regiões e canais de compra.
O varejo físico brasileiro registrou queda de 1,5% no fluxo de consumidores em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025. O resultado foi divulgado pelo Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV), da SEED.
Foi o segundo mês consecutivo de retração. O levantamento acompanha mensalmente o comportamento de aproximadamente 58 milhões de visitantes em milhares de lojas de diferentes regiões e segmentos do país.
O resultado de agosto ocorreu em um cenário de renda disponível mais comprometida e crédito ainda restrito. A taxa básica de juros também permanecia em patamar elevado no período.
Segundo a análise da SEED, o comprometimento da renda das famílias e o custo do crédito ajudam a explicar a perda de ritmo observada em agosto.
O crédito tem papel relevante nas compras de maior valor. Com condições financeiras mais restritivas, esse tipo de consumo tende a enfrentar maior pressão.
A semana do Dia dos Pais também não apresentou crescimento no fluxo. O período registrou queda de 0,3% na comparação anual.
O resultado ficou abaixo da expectativa de maior movimentação para uma das principais datas comerciais do segundo semestre.
O resultado nacional foi acompanhado por diferenças significativas entre as regiões brasileiras.
O Sul registrou crescimento de 8,4% em agosto. O resultado representa uma aceleração em relação à alta de 6,7% observada em julho.
O Centro-Oeste também apresentou avanço. O fluxo cresceu 1,3%, depois de uma retração de 6% no mês anterior.
No Norte, o movimento ficou praticamente estável. A região teve alta de 0,1% em agosto, interrompendo dois meses seguidos de queda.
No Sudeste, porém, o fluxo recuou 4,3%. Foi o terceiro mês consecutivo de retração na região.
O Nordeste teve queda de 4,8% e também acumulou três meses seguidos de resultados negativos.
“O mapa do varejo em agosto mostra uma divisão clara no ritmo de recuperação. Enquanto Sul e Centro-Oeste demonstram maior capacidade de recomposição do fluxo, Sudeste e Nordeste permanecem pressionados, sinalizando um consumidor mais reticente nos principais centros de consumo do país”, aponta Sidnei Raulino, fundador da SEED Digital.
As diferenças também aparecem entre os canais de comércio físico.
As lojas de rua registraram queda de 1,7% em agosto. Em julho, a retração havia sido de 0,3%.
Com o novo resultado, o segmento chegou ao quarto mês consecutivo de queda no fluxo de consumidores.
Os shopping centers tiveram retração menor, de 0,4%. O resultado, entretanto, representa uma melhora em relação à queda de 5,1% registrada em julho.
Segundo o levantamento, o desempenho indica maior estabilidade do fluxo nos centros de compras diante do cenário de consumo mais cauteloso.
O início do último quadrimestre coloca as eleições no radar das projeções para o comércio.
A SEED analisou dados dos períodos eleitorais de 2018 e 2022 para avaliar como o fluxo de consumidores se comportou antes e depois das votações.
Nos dois anos, setembro, mês anterior à eleição, apresentou crescimento no fluxo geral.
Em 2018, a alta foi de 5%. Em 2022, o crescimento chegou a 7,8%.
Nos domingos de votação, entretanto, o fluxo nas lojas caiu mais de 50% nos dois turnos analisados.
Em 2026, o primeiro turno está previsto para 4 de outubro. Caso haja segundo turno, a votação ocorrerá em 25 de outubro.
Os meses de novembro e dezembro, portanto, serão acompanhados em um contexto posterior ao período eleitoral.
Os dados históricos analisados pela SEED mostram comportamentos diferentes nos meses posteriores às eleições.
Em 2018, o resultado eleitoral foi definido rapidamente. Na sequência, o fluxo registrou alta de 4,9% em novembro e crescimento de 4,1% no Natal de dezembro.
Em 2022, o cenário foi diferente. Novembro apresentou queda de 0,7%, enquanto dezembro teve retração de 2,1%.
A análise da SEED relaciona os períodos a diferentes níveis de confiança e demanda do consumidor após as eleições.
Para 2026, o calendário comercial ainda inclui datas como Black Friday e Natal, que podem influenciar a movimentação das lojas.
“Para o varejo, o último quadrimestre de 2026 será marcado por uma combinação de fatores. De um lado, temos datas comerciais importantes, como Black Friday e Natal, capazes de estimular a demanda. De outro, eleições e condições climáticas adversas podem adicionar volatilidade ao fluxo. A velocidade com que o ambiente político recuperar previsibilidade após a votação será um fator importante para determinar quanto da demanda represada poderá ser capturada no fim do ano”, conclui Raulino.
Fonte: centraldovarejo

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